Eu gerador de uma geração à rasca me confesso.

Começo por pedir desculpa a esta geração, desculpa por ter duvidado da capacidade de mobilização, por ter, de uma forma preconceituosa, acreditado que por trás deste movimento estaria um qualquer partido politico, mas mais, mais profundo no tempo e no espaço, por deixado que os Sócrates os Cavacos os Guterres os Santanas e outros tomassem conta deste pais, este pais porque lutei, porque fui preso, porque fui para a rua no dia 25 de um mês de uma longínqua primavera, tão longínqua que me esqueci como era antes ou como era depois e depois e depois…

Peço também desculpa a esta geração porque acreditei e entorpeci o pensamento durante todo este tempo, porque passei décadas a dizer que se tem de fazer alguma coisa mas sem a coragem e a força anímica para o fazer, peço desculpa a esta geração por viver de ideais e não ser capaz de ter uma ideia para correr com esta corja de malfeitores, peço desculpa porque deixei que nos tornássemos num povo de eleitores deixando cair a cidadania, peço desculpa por hoje ter ficado em casa a assistir na televisão aquilo que pode ser o desabrochar de um ciclo novo, mas cuidado com a instrumentalização que daqui possa vir, quer da esquerda mas mais da direita pois é ela a próxima a governar, não se deixem iludir, lutem, lutem por vocês e por nós.

 

Sobre Elisiário Figueiredo

Camaradas...! Eh, camaradas...! ouvi, Que vou dizer-vos quem sois, Pois vou dizer-vos quem sou.
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