Negociar porquê?…

Ontem, em grande mostra mediática, a ministra Alçada veio anunciar um acordo com os sindicatos de professores relativo à avaliação, cujos termos pode ver aqui. Basicamente, a ministra veio anunciar que andou a meter as patorras e a comprometer o país perante uma classe que ameaçava tomar os nosso filhos como reféns.

Um acordo com os sindicatos dos professores nunca poderia ser positivo nesta fase do campeonato,  não depois daquilo que aconteceu na legislatura anterior e, principalmente, não depois da política do governo anterior ter sido validada pelos cidadãos em sufrágio.  Este acordo é uma vitória do Nogueira contra Portugal e a ministra, feita loura burra, vem para a televisão fazer uma festa.

Os resultados das eleições mostram a concordância do povo com as políticas seguidas pelo governo anterior. Podemos fazer todo o tipo de especulações que entendermos mas, no fim do dia, entre aquilo que dizia a Lurdes Rodrigues e aquilo que diziam os professores o povo português, soberano, foi claro. Concordava com a Lurdes Rodrigues. Por isso, esta ministra não tinha que fazer acordo nenhum. O Nogueira não pode mandar mais que qualquer cidadão português na decisão da política de educação do país, enquanto esta for pública, por isso a ministra não pode ultrapassar a lealdade que deve a Portugal para se vender a um cidadão, só porque este é membro de um sindicato. Uma ministra não pode, por lealdade ao regime democrático plural, levantar a voz de um cidadão acima de todos os outros só porque este é membro de um sindicato.

Os sindicatos são livres de defenderem os interesses dos seus associados, mas a ministra tem de defender e cumprir as decisões dos portugueses.  Há 40 mil a quererem ser professores, por isso a tarefa de entregar a educação não deve ser particularmente complicada nem entendo porque carga de água esta gente tem, sequer, poder reivindicativo. E do excepcional trabalho não é de certeza, como os números mostram. Fazer um acordo com os sindicatos dos professores foi dar-lhes uma importância que, claramente, o povo decidiu que não queria dar. E Alçada lixou tudo.

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Sobre Tonibler

Um vintém será sempre um vintém, um cretino será sempre um cretino
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9 respostas a Negociar porquê?…

  1. Esta matéria é muito complexa, a avaliação tem que ser efectuada e ponto final, a forma como estava com a Lurdinhas era uma merda, se o acordado foi simplificar o método, então estou de acordo, em relação à ascensão na carreira não posso estar de acordo que toooodos os professores possam ascender ao escalão máximo, assim como não entendo que a grande maioria de professores, cerca de 83% tenham adquirido uma avaliação de Bom mas que não sejam suficientemente bons, a complicação criada pelo Ministério é que veio foder isto tudo, é impossível que 83% dos professores não prestem, eu não acredito.

    Quanto ao camarada Nogueira, ele faz o papel dele e fá-lo bem, embora não goste do estilo.

  2. Eu também acho que o povo português escolheu uma merda de um primeiro-ministro. quer dizer que posso deitá-lo fora independentemente daquilo que foi a vontade expressa dos meus concidadãos?
    Dizer que como estava era uma merda pode ser a opinião de 2, 4 ou 4000 pessoas. O que não pode dizer, de certeza, é que é essa a opinião da maioria das pessoas. O que a maioria das pessoas disse foi que gostava da forma como o país estava a ser governado e isso incluía a avaliação da Lurdinhas.

    As classificações são relativas. Não há 83% do lado positivo da curva de certeza. Há exactamente 50%. E devem-se promover os melhores, que serão os 17%. Parece-me bem nem vejo qual a questão. Eu até acho que se deveria despedir os 17% mais negativos.

  3. Ricardo Chibanga diz:

    Eu, ou já estou muita bêbado, ou cada vez mais burro…para quê?

  4. Eu não tenho tanta certeza que a maioria do povo gostasse do trabalho que a Lurdinhas fez, tenho mais a certeza de que a maioria do povo português não conhecia os contornos do processo de avaliação, causas, consequências.

    Em relação às classificações também sou da opinião que aqueles piores classificados deveriam ir andar, dar lugar aqueles que queiram na realidade ensinar, parece-me óbvio e de bom senso.

    • Irrelvante, Elisário. Votaram neles, não se pode agora dizer que votaram neles mas não naquele detalhe que não dá jeito…

      • Sérgio Pinto diz:

        Tonibler,

        Não é grande argumento, dado que a maioria votou nos restantes partidos, sendo que TODOS os partidos da oposição estavam contra a tentativa de reforma encetada.

        P.S. I E os tais posts sobre o Eugénio Rosa?

        P.S. II Repescando uma coisa lá de trás, aproveitava para dizer que conheço pouco do Taleb (e gostava de conhecer mais). Daí a pergunta: o gajo tem algum livro técnico em que exponha de forma mais completa/abrangente os métodos alternativos baseados em fractais e afins? Quando digo abrangente é porque queria algo mais que ‘papers’ avulsos que incidem sobre um tema ou outro… E o único livro dele que encontro é um “Dynamic Hedging” que já vem doa anos 90 e que não sei sobre que temas incide. Se souberes de alguma coisa, obrigado.

  5. Mais uns vergados ao sindicalismo filho da puta. Esta ministra é uma vergonha!

  6. Pingback: Mais cedo falasse… « Tonibler (R)

  7. Sérgio,

    Sim, mas quem escolheu para gerir a educação foi o PS

    ps1. pouco tempo…

    ps2:Não conheço nada de jeito feito sobre o assunto. Eu trabalho sobre isso e ando à procura de alguma coisa de jeito feito com pés e cabeça. O mais próximo de ma coisa séria é Madelbrot sobre o preço do algodão, creio, onde demonstra que as variações do preço seguem uma power law e por isso são invariantes de escala, mas Taleb também nunca vi nada de jeito tirando a tiradas filosóficas.

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