Ainda os casos de “Liberdade de Expressão”

Fernanda Câncio escreve hoje no DN “A Liberdade e os seus Falsos Amigos” texto elucidativo de todos aqueles que foram nomeados como “Guardiãs da Liberdade de Expressão” telhados de vidro, quem os não tem.

«Não sei quando é que se cunhou a ideia de que se “se vivem tempos maus para a liberdade de expressão”. Não me lembro por exemplo de ter ouvido tal coisa quando o jornalista João Carreira Bom foi dispensado do Expresso por ter escrito uma crónica a chamar rei do telelixo a Balsemãocrónica que o então director do Expresso (agora no Sol) disse só ter sido publicada por não a ter lido antes. Ou quando Joaquim Vieira saiu do mesmo jornal por, segundo ele, divergências com o director em relação à redacção de uma notícia sobre Joe Berardo, anunciado accionista da SIC. Ou quando em 2008 Dóris Graça Dias denunciou a não publicação de um seu texto sobre um romance de Miguel Sousa Tavares, cronista do jornal.

Os três casos, mais aquele que ocorreu no DN quando em Agosto de 2004 a direcção de Fernando Lima decidiu não publicar uma crónica minha por ser “política”, podem ser qualificados como clássicos atentados à liberdade de expressão. Foram até denunciados como “censura”. No entanto, não só não foram pretexto para caracterização de “um clima” como parecem, inexplicavelmente, ter-se varrido da memória dos que, caso do director actual do Expresso, declaram nunca ter visto ou feito algo de parecido.

Quando Henrique Monteiro, que recusou a publicação de uma crítica literária alegando “não se tratar de uma crítica mas de um ataque ao autor”, afirma que nunca viu nada de parecido com um director de jornal exprimir dúvidas a um cronista sobre o conteúdo de uma crónica quanto aos factos que imputa a outrem sem ser deles testemunha directa e considera isso “censura” estamos perante aquilo a que se chama double standard. Traduzindo: o que eu faço está sempre acima de suspeita, o que tu fazes é sempre suspeito.

[…] Os tempos estão maus, sim, mas não tanto que se possa usar o nome da liberdade para acabar com ela.»

Retirado do blog Da Literatura do Eduardo Pitta

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Sobre Elisiário Figueiredo

Camaradas...! Eh, camaradas...! ouvi, Que vou dizer-vos quem sois, Pois vou dizer-vos quem sou.
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3 respostas a Ainda os casos de “Liberdade de Expressão”

  1. Estamos a fazer o inventário daqueles a quem não devaria ser dada a hipótese de ocuparem cargos públicos, é isso?

  2. Não camarada, estamos a relembrar aqueles que “agora” nos acontecimentos recentes, se armaram em guardiãs da liberdade de imprensa, como se desse facto se tratasse, enquanto em tempos idos atacaram essa mesma liberdade de imprensa.

  3. Exacto, são tão maus como o primeiro-ministro. Podemos voltar a este, uma vez que a este eu pago o ordenado e ponho-lhe polícias, exército e saúde nas mãos? Obrigado…

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