O POUCO QUE RESTA DO SNS COM HISTÓRIA DE ABANDONO.

Sexta-feira passada tive um pequeno problema de saúde e socorri-me dos serviços do INEM, entre a chamada com o devido questionário, e a chegada a minha casa 10 minutos, bom, muito bom, o técnico do INEM fez-me o exame prévio e decidiu que deveria ir para o Hospital, entre o rastreio e a consulta, mais coisa menos coisa, 10 minutos, fui visto por uma Cardiologista que mediu a tensão arterial e me fez um Electrocardiograma, mandou-me de imediato fazer análises ao sangue e um RX ao Torax, o que demorou no conjunto menos de ½ hora, vim de imediato para a sala das consultas à espera do resultado, os resultados demoraram cerca de 20 minutos e fui logo chamado para nova consulta agora com exames, a médica medicamentou-me ali na hora e deu-me o prognostico com o receituário devido.

Paralelamente a isto estava a decorrer uma consulta a uma idosa, confidenciou-me uma das enfermeiras que a idosa é “cliente” fiel das Sextas-feiras ou sábados, depende, e que além de um anti-depressivo dado na altura o resto da medicação não é mais do que um chá e uns bolinhos.

Esta idosa tem uma história de abandono por parte do familiar mais próximo um filho, vive na mesma casa que o filho, casa essa construída com o suor de uma vida por ela e pelo marido entretanto falecido, ela ocupa a parte de baixo da casa e o filho a parte de cima que para o efeito mandou fazer umas escadas exteriores, durante a semana a referida idosa contenta-se com a companhia dos passos dos habitantes do andar superior, o filho a nora e os netos, chega o fim-de-semana e os habitantes do andar de cima “piram-se” para uma casa que têm no campo, se vão de fim-de-semana logo após o trabalho e sem passar por casa a senhora vai ao hospital na sexta-feira, se vão no sábado pela manhã então a senhora vai no sábado ao hospital.

Disse-me a minha fonte que um dia em tom de desabafo a idosa senhora lhe confidenciou: contento-me em saber que eles estão bem e conheço-lhes os passos, só não aguento é o silêncio dos fins-de-semana. Ao que a Enfermeira respondeu, talvez um dia os filhos lhe façam o mesmo, ai a senhora respondeu, espero que não, ele não merece, é meu filho.

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Sobre Elisiário Figueiredo

Camaradas...! Eh, camaradas...! ouvi, Que vou dizer-vos quem sois, Pois vou dizer-vos quem sou.
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Uma resposta a O POUCO QUE RESTA DO SNS COM HISTÓRIA DE ABANDONO.

  1. Caro Elisiário,
    você cruza uma história mais ou menos feliz com uma triste história.
    Quanto ao SNS, discordo consigo que é o “pouco que resta”. Acho precisamente o contrário é o muito que tem e é positivo. Elimine-se o desperdício, porque o há e muito, e teremos um serviço com qualidade aceitável.
    No que diz respeito à parte triste, é a consequência do egoísmo vigente e que francamente estou com a senhora: espero que isto não passe mais, que seja apenas um dos defeitos de uma geração à rasca no processo de adaptação aos novos tempos, e que os valores não se tenham perdido para todo sempre.

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