A Europa dos portugueses

Hoje a notícia do Diário Económico vai para uma professora da FCT-UNL a quem foi retirada a regência de duas cadeiras do departamento de Química. Situação invulgar no estado português mas que, miraculosamente, acontece. Factos a que a carta do Departamento alude são “aumento súbito do insucesso escolar”. Notícia do jornal

Professora castigada por reprovar mais de metade dos alunos

Isto é a cara do portuguesismo no seu melhor. O Departamento de Química da UNL retira os cargos (porque são cargos) por incompetência. Um professor está lá para o sucesso escolar. Não está lá para passar, nem para chumbar, mas para o sucesso. Se a UNL entende que a professora não contribui para o sucesso escolar significa que, quer enquanto avaliadora, quer enquanto formadora, ela não serve. Mais, chama de “súbito”, o que significa que as cadeiras já tiveram outros regentes em que a universidade entendeu que tinham um contributo positivo para o sucesso escolar.

A notícia passa no jornal como se estivessemos a falar de uma qualquer arbitrariedade perpetrada por um doidivanas qualquer. Porquê? Porque, por definição na religiosidade lusitana, um trabalhador, seja ele qual fôr, é sempre competente e, se só faz merda, é porque o chefes dele não prestam. Sendo funcionários do estado, em que todos têm chefe que é um trabalhador do estado, então são competentes de certeza todos, apesar de termos a administração pública mais merdosa do mundo civilizado. Então, nesta lógica religiosa, a professora não é corrida porque não presta, ela é corrida porque é muito exigente.

Ora, como as universidades do estado são as únicas coisas do estado que ainda funcionam, exactamente porque têm os únicos funcionários do estado que podem ir com os porcos, dá para ter uma pista porque é que este país é uma bosta.  Quando alguém quer meter alguma qualidade nalguma coisa é logo atacado. E se a incompetência é corrida por carta, a qualidade é atacada nos jornais (porque a senhora deve ser filha ou mulher de alguém, como sempre acontece nestes casos).

Anúncios

Sobre Tonibler

Um vintém será sempre um vintém, um cretino será sempre um cretino
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

5 respostas a A Europa dos portugueses

  1. Um facto, a noticia no fim coloca uma frase proferida pela professora:

    “…atribuindo-me a responsabilidade exclusiva pelas notas dos alunos”, conta a docente. Uma responsabilidade que garante não ser só da sua competência, já que a avaliação prática dos estudantes nas suas disciplinas foi repartida com mais outros três docentes.”

    A ser verdade os outros professores, aqueles que fizeram a avaliação prática, também têm responsabilidade, a não ser que a carta aluda só ao facto de colocarem em causa não a nota final mas a aprendizagem ao longo do ano.

    Estas noticias normalmente deixam a “coisa” pela rama, nunca vão ao fundo da questão.

  2. Tonibler diz:

    É a regente da cadeira. De que é que se queixa? A avaliação prática é feita como ela quer e entende. Ser regente é ser Arcanjo. Só não se é Deus porque há orgãos colectivos superiores.

  3. Manuel Baginas diz:

    Foi uma pena o Eng. Guterres não ter prosseguido com as suas reformas. Não estariamos assim, ai isso não.

  4. Nesse caso o que colocam em causa são os métodos de ensino utilizados ao longo de um ano, é grave, e no extremo passível de processo disciplinar.

  5. Tonibler diz:

    Sim, na prática é exactamente isso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s