Um pouco de história factual.

Recordo que antes de Mário Soares em 1983 ter negociado com o FMI, os Primeiro Ministros foram; Nobre da Costa (Nomeação Presidencial), Mota Pinto (PPD), Maria de Lurdes Pintassilgo (Nomeação Presidencial) Sá Carneiro (PPD), Freitas do Amaral (CDS), Pinto Balsemão (PPD).

Está bom de ver quem foram os políticos que governaram o país 5 anos antes de Mário Soares ter que negociar com o FMI.

Uma das metas impostas pelo FMI foi a redução do deficit de 11 para 6% em dois anos, o desemprego chegou aos 11%, desemprego, aumento de impostos, super redução do deficit, tudo isto foi imposto pelo FMI, os sacrifícios resultaram.

Cavaco inicia o seu “reinado” três anos depois com dinheiro fresco vindo a rodos da CEE e com o petróleo a 15 dólares, deu cabo da frota pesqueira nacional e da agricultura, passámos a importar laranjas de Itália, batatas da Holanda e leguminosas de França, mais não sei o quê da Bélgica. Peixe de Israel da Grécia de Espanha e de Marrocos, mas ainda não contente, deu cabo da industria naval entregando os estaleiros da Lisnave/Margueira aos antigos proprietários que logo transformaram aquilo num monte de sucata à espera do momento para realizar um empreendimento habitacional megalómano, o bom senso da Câmara Municipal de Almada em tempo útil o travou. Tudo isto em nome do sucesso empreendedor de Cavaco, o mestre do engano, porque com dinheiro dos outros, e foi aqui que começou o descalabro e as obras megalómanas, também eu fazia CCBs e estradas por todo o lado, no entanto, assegurando o seu futuro, entregou terras produtivas aos latifundiários para fazerem “reservas de caça” ou, ainda pior, deixa-las ao abandono, é só ir pelo Alentejo fora. Criou desemprego nas pescas e ruína para muitos dos pequenos empresários do sector. É este o Presidente que temos e que os seus apoiantes querem num segundo mandato, é lícito? É! Mas também é lícito denunciar aquilo que a história sabe e não conta, aquilo que o jornalismo de pacotilha que temos esconde de forma propositada e até obscena, porque é obsceno “endeusar” alguém que no mínimo deveria ser “diabolizado”, Cavaco não é quem alguns dizem, Cavaco não passa de mais um politico Português que usufruiu de uma conjuntura super favorável, cometeu erros tão grandes ou maiores que Sócrates, feudalizou o sistema, engajou pessoas, criou súbditos, em suma, um dos principais criadores da situação em que nos encontramos.

O futuro, dizem os crentes, a deus pertence, mas está à vista. Este novo orçamento é um caso de polícia disse Manuela Ferreira Leite, também os dela eram casos de polícia e ela nunca foi presa, quem vai pagar isto? O povo! E dentro do povo as classes mais desfavorecidas, os do costume, aqueles que não têm boca, os eleitores, aqueles a quem a cidadania é negada por esta democracia do faz de conta, por estes democratas que pensam com a barriga dos outros, pelos boys neoliberais do sistema politico (PS e PSD), gente que não sabe o que é entrar num supermercado e gerir um orçamento pelo valor em detrimento da qualidade.

Mas o futuro vai ser “porrada e mal viver” até aparecer um político em conjuntura favorável, quem sabe até com a possibilidade dada pela Europa de subverter os orçamentos, e até quem sabe com a possibilidade de ultrapassar os deficits hoje impostos, e ai começa tudo igual, mais esbanjamento, mais “endeusamento” mais engajamento, mais súbditos e … outra crise.

Sobre Elisiário Figueiredo

Camaradas...! Eh, camaradas...! ouvi, Que vou dizer-vos quem sois, Pois vou dizer-vos quem sou.
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13 respostas a Um pouco de história factual.

  1. Tonibler diz:

    Bem, graças ao FMI é que o Soares não fodeu isto tudo. De qualquer forma reparo que a sua “história” omite os governos do Mário Soares antes desses. Talvez porque se confundam com os de Marcelo Caetano…

  2. Já estava à espera que fosse buscar o I Governo Constitucional chefiado por Mário Soares, mas se recorda esse Governo era um mix e até tinha por Ministro das Finanças o grande ídolo dos neoliberais de hoje, o Medina Carreira.

    No entanto se ler o post até ao fim vai ver que eu não dou grande ênfase àquilo que foi esse período mas sim ao período imediato, ao do endeusado Cavaco Silva.

  3. Os dados disponíveis são esclarecedores. A economia portuguesa implodiu devido às políticas “económicas” do pós-25 de Abril. O Estado Novo, sendo ditador e pouco preocupado em modernizar os seus funcionalismos sociais, porém, deixou as contas públicas em ordem (a teoria de que a Guerra do Ultramar era demasiado cara é mentira), nunca tendo apresentado défice orçamental (o seu nível fiscal era sempre superior ao nível da receita).

    Ainda hoje tentam desculpar as loucuras económicas do PREC dizendo que tal aconteceu há muito tempo, mas o Estado que temos hoje, a economia que temos hoje, a capacidade produtiva que temos hoje, é resultado da mentalidade instaurada nesse tempo. As nacionalizações não produziram absolutamente nada. Basta ver a taxa de desemprego.

    Cavaco Silva, enquanto PM, não pode ser responsabilizado pela mentalidade e economia vigente, mas pode ser responsabilizado, isso sim, por não ter feito muito mais. Até ele aumentou a despesa, até ele contratou mais funcionários públicos. Isto tudo acontece porque o 25 de Abril, em matéria de grandes partidos políticos, somente produziu partidos de Esquerda, sendo o PSD uma tentativa de centro-esquerda. O CDS era residual. O PSD, hoje, está longe de ser um partido de Centro-Direita. É mais um partido receoso-Centrista.

  4. Comparar a economia fascista com aquela que se produziu após o 25 de Abril não tem pés nem cabeça, em primeiro porque nos anos 70 tínhamos mais gente a trabalhar, existiam 5,2 trabalhadores para cada aposentando, vindo a decrescer e chegando aos dias de hoje a cerca de 2,5 trabalhadores para cada pensionista, existiam unidades de produção que o único objectivo era a manufactura de produtos para as colónias, é evidente que após a descolonização essas unidades acabassem ou sofressem um decréscimo de trabalhadores. Os ordenados eram muito mais baixos do que aqueles que hoje se pagam, só para ter uma ideia um trabalhador da construção civil ia para França e ganhava 5 vezes mais do que ganhava em Portugal, hoje anda por vez e meia a duas vezes, em Portugal trabalhava-se de segunda a sábado em França de segunda a sexta, as horas extraordinárias em Portugal eram pagas a 100% em França a 200%.

    A Guerra Ultramarina foi feita à custa da estagnação do continente, durante os quase 20 anos de Guerra não se modernizou o país, as únicas obras públicas que podemos registar foi a Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril e 22Km de auto-estrada.

    Desculpabilizar o pai do monstro é como tapar o sol com uma peneira, ele fez aquilo que a mediocridade politiqueira nacional faz, assegurar a permanência no poder. Achar que o crescimento económico nalguns anos de governação cavaquista é uma façanha é esconder aquilo que realmente se passou, recebeu as contas públicas controladas, recebeu dinheiro a rodos da CEE e o petróleo rondava os 15 dólares, no entanto isso não evitou o crescimento da despesa.

  5. A Elisário precisa urgentemente de rever os seus números. Ora vejamos: o período de ouro da economia portuguesa é 1960-1975, primeiramente.
    O III Plano de Fomento, por exemplo, abandonou o enfoque no mercado interno e privilegiou o mercado internacional. Resultado? Em 71 e 72 Portugal cresceu 10,5 e 10,4, respectivamente.
    Depois, considerando o inicio da Guerra do Ultramar, aproveito para aqui deixar mais um facto: nunca Portugal, durante esse período, cresceu menos de 2.4%. Chegámos a crescer, em três ocasiões, mais de 10%.
    Depois de mais 22 anos de crescimento, 1975 regista uma depressão no PIB de -5,1%.

    A Elisário poderá questionar as opções políticas e económicas tomadas, mas jamais poderá negar que Portugal cresceu. E não foi pouco. Os dados macroeconómicos das políticas de Abril são evidentes:

    1) Aumento do desemprego;
    2) Aumento brutal do custo unitário do trabalho:
    3) Aumento brutal do défice orçamental e da dívida externa;

  6. Insurrecto

    Já dei a ler o post e o meu comentário a três pessoas diferentes e todas elas entenderam o que eu disse só o amigo não entendeu, eu não falei em facto nenhum económico de antes do 25 de Abril, o que digo sobre esse período é que tínhamos uma economia assente sobre mão de obra muito barata e fraca industrialização, a nossa capacidade industrial, tirando as excepções da CUF das cimenteiras ou da industria naval era manufactureira, sapatos, vestuário, artigos de adorno, malas, cintos, porta-moedas etc. e que a quase totalidade tinha como mercado as ex-colónias, com isto não disse nem quis dizer nada daquilo que o amigo diz.
    Os crescimentos económicos foram conseguidos à custa de mão de obra muito barata, não se esqueça que em 1974 a maior cidade Portuguesa era Paris com mais de um milhão de Portugueses que iam ganhar 5 e 6 vezes mais do que aquilo que ganhavam em Portugal.

    Essa leitura de números a mim não me impressiona, são bonitos mas não mostram a realidade Portuguesa de então.

    Eu nunca neguei o crescimento económico da altura, os números estão ai, eu acho é que o amigo não leu nada daquilo que eu escrevi, mas compreendo é um defeito aqui do blog, já o camarada Tonibler faz o mesmo.

  7. Elisiário, estou equivocado ou você esqueceu-se de referir 15 anos de história, que por acaso são os últimos, e que por acaso determinaram de uma forma marcante a situação actual ?
    Parece-me ainda que se esquece de referir que o modelo de desenvolvimento introduzido por Cavaco e Silva, simplesmente não foi acompanhado numa evolução logica nos anos que se lhe seguiram ?
    um detalhe importante é que nesses 15 anos seguiu-se um modelo de continuidade na construção de infraestruturas apenas para encher o cu de dinheiro dos clientes do costume: os Coelhones da vida! Felizmente temos que recorrer a credores para esta loucura, pois caso contrario dentro de, outros 15 anos, o portugal do PS seria uma enorme autoestrada!
    PS: só para recordar que o lírico que concorre às presidenciais É CÚMPLICE desta merda! Isso sim é um facto incontornável!

  8. Não está “equivocado”, está simplesmente a “puxar a brasa à sua sardinha”, não escrevi os últimos 15 anos porque simplesmente não os tinha de escrever, assim como não escrevi sobre os primeiros 10 anos, o que escrevi é o suficiente para chegar onde queria, o modelo económico de Cavaco é um não modelo, ou antes, é o modelo que estes gajos nos últimos anos copiaram, gastar dinheiro à “tripa forra” em merdas sem nexo nenhum, de forma a culpar o estado social do descalabro económico.

  9. Pois olhe que os últimos 15 anos foram determinantes para o descalabro. O modelo de Cavaco dizia respeito a um processo em que a infraestrutura de base e re-estruturação da base da economia, em particular o tão caro estado social, tinha que necessariamente evoluir. E isto foi um sucesso. A grande questão é que este processo não se poderia esgotar em 10 anos, necessitava de mais 20 para que o modelo económico do país mudasse de paradigma. Pois olhe que nos 15 se seguiram, só se registam as piveas dos socialistas e o enriquecimento ilícito dos seus militantes e amigos, com a cumplicidade TOTAL do lírico candidato.

  10. Tem razão, o amigo Dias Loureiro é socialista, e o amigo Cadilhe também, para não falar no Oliveira e Costa ou no Almerindo Duarte também estes perigosos socialistas, isto para não falar em Rendeiro ou em Fezas Vital, ou até mesmo no genro Luis Montez.

    Até Cavaco deveria explicar muito bem a história da compra de acções do BPN, não é o facto de as ter adquirido mas sim comprar através de informação classificada dada pelo seu “compadre” Dias Loureiro.

    Foi aqui que a “coisa” começou, foi aqui que o compadrio e as negociatas começaram porque foi aqui que começou a existir dinheiro a rodo vindo da Europa. Cavaco é o pai do monstro e o pai da cumplicidade do estado e o dinheiro, foi a partir dos governos de cavaco que se começou a inundar as empresas publicas e algumas privadas de políticos.

    “Não existe pior cego do que aquele que não quer ver”

  11. Tonibler diz:

    Sim, o Cavaco deve estar rico à conta das acções do BPN…Se calhar fechamos aqui e vamos à procura do gajo do PS que não esteja envolvido em rendimentos imorais à conta do estado?!?!?

  12. Sérgio Pinto diz:

    Deve haver poucas coisas tão curiosas como ver um partidário do PSD a tentar ‘demonstrar’ que os do PS é que são corruptos (ou vice-versa)…

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