A correlação

Nos idos dos anos 80, no início, quando aqui o camarada Toni ainda andava no Secundário, um dos meus familiares era aquilo a que se chamava na altura de um autarca. Trabalhava no emprego que tinha, onde o patrão lhe dava as tardes de quarta-feira (se bem me lembro) e, nessa tarde vestia a camisola de vereador da câmara municipal local. Essa tarde dava para ir às reuniões do executivo onde outros palermas iguais debatiam os assuntos da semana e para tratar, até às 10 da noite, a semana com os funcionários permanentes. Nos outros dias, fazia a semana que tinha que fazer, porque se o patrão era obrigado a dar a quarta-feira à tarde, o trabalho não aparecia feito e, por isso, nos outros dias tinha que compensar o dia dado à edilidade.

Por este trabalho o edil em causa recebia senhas de presença, cujo montante era tal que juntava as senhas de meio ano e me entregava para ir receber à tesouraria da câmara e, a seguir,  ir comprar os livros da escola para esse ano.   O meu irmão ficava com as senhas de outro meio ano.

Acumulando com isto, o edil era também dirigente do partido local e passava as passas do Algarve para reunir as listas para a autarquia feita com recurso a favores pessoais e “vá lá que não ficas num lugar elegível, eu meto-te cá no fundo”. Em cada eleição que existia para a secção lá da terra, era um corropio de telefonemas para os outros a dizer “porra, pá, desta vez tens que ser tu!” e nos almoços de angariação de fundos aparecia sempre um dirigente nacional, lembro-me do merdas do Constâncio e do vígaro do Almeida Santos,  que apareciam durante meia-hora para dar pão aos pobres e desaparecer daquele ambiente “besuntas”.

Entretanto começou a haver dinheiro e os parasitas começaram a aparecer. De um momento para o outro deixou de ser necessário andar a telefonar para arranjar membros das listas, a secção passou a ter uma quantidade enorme de “patriotas” que se disponibilizavam para responder à chamada, alguns deles nomes sonantes. Para se entrar na lista para a câmara o telefone lá de casa tocava a noite inteira, com promessas de lugares no governo nacional e civil (as empresas públicas já deve ser uma moda recente) até que o familiar do camarada Toni resolveu entregar a coisa aos bichos, mandar todos para o pénis e entregar-se ao seu trabalho de todos os dias.

Portanto, não me venham dizer que pagar impostos é positivo. Não me venham dizer que o PS não é uma casa de putas cheia de ladrões e vigaristas. Os outros? Não conheço. Agora pagar impostos para o PS andar a meter no bolso? Foda-se, está-lhes no sangue!!!

Sobre Tonibler

Um vintém será sempre um vintém, um cretino será sempre um cretino
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3 respostas a A correlação

  1. cmonteiro diz:

    Bem, já tens idade suficiente para saber que o pior inimigo da objectividade é a percepção individual…

  2. Tonibler diz:

    Sim, o que vale é que os factos desmentem completamente a minha percepção individual….AHRG!

  3. O desgoverno do poder local é o maior cancro político de Portugal. Gamam, gamam, e quando gastam fazem-no mal. Pagar o cachet de 5000€ ao Quim Barreiros e deixar as crianças sem passadeiras decentes, isto quando elas existem, é que é bom. As crianças não votam, o Quim Barreiros também não, mas os “Quins” da plateia votam, pelo que o ganho eleitoral merece o esforço financeiro.

    Provavelmente, quem pagou o cachet ao Quim Barreiros foi o BES ou o BCP, porque o dinheiro previsto no orçamento foi-se há meses atrás.

    Na volta, o Quim Barreiros é credor. Pagaram em certificados de aforro, talvez.

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